Apenas o barulho persistente do relógio se faz ouvir lembrando que o tempo não pára, as gotas de chuva deslizam pela janela enquanto outras caem do telhado depois da chuva já ter passado sem se fazerem ouvir.
O corpo está pronto para acordar mas a mente não. Não está preparada para acordar para a realidade, reprimir já tantos sentimentos fechados na gaveta, lutar contra os pensamentos e memórias que fugiram do seu lugar escuro e ainda ter forças para por um sorriso na cara e lutar para que consiga animar-me e aos demais. Talvez seja forte mas não o suficiente, quanto queria, para me controlar quando a noite chega, deixando-me levar como uma vagabunda pela melancólia. Não quero ter que ficar nesse estado, não quero que pressintam que estou assim, quero que vejam aquela rapariga com energia, com um sorriso na cara e que teve que aprender as ver as situações pelo lado positivo. Por trás esconde-se uma barreira imaginária criada para própria segurança, nada está esquecido apenas empurrado para um canto a apanhar pó. Não há dia que todo o arrependimento, amargura, frustação, auto tortura e recriminação, ..., queiram assolar a minha mente, atolando o meu espirito daquele peso e pressão de que a culpa é e será minha e nada posso fazer para mudar esse facto.
Tento não pensar no arrependimento que aumenta e no sofrimento que causei aos que mais amo, era tudo tão simples mas só soube complicar cometendo erro atrás de erro dos quais talvez não aja perdão. Eu faria qualquer coisa para não teres que lidar com isso, se pudesse carregava com essa mágoa, mas infelizmente não posso. Só posso dar o meu apoio e tentar lutar pelos dois tal como fazes comigo.
Constantemente oiço “a culpa é tua” a maior parte talvez sejam vozes imaginárias provenientes do lado obscuro tentando torturar-me com essas represálias, mas outras não é real. Essa realidade que não quero dar ouvidos mas que sinto que me está a desfazer aos poucos. Não quero que vejam estes sentimentos e muito menos que os sintam por isso tenho que continuar a lutar. É o cansaço fisico e psicológico a falar mais alto para qual só o tempo e persistencência podem repor a energia que consigo aparentar ter. Desistir não pode fazer parte do vocabulário porque se irá tentar como se tem feito até agora.

EDIT:
Deixei a porta entreaberta e eles fugiram sem pudor, vagueando agora pela luz, entrando e saindo quando muito bem lhes apetece. Como se por momentos não fosse eu que comandava a minha mente mas sim eles, os monstros que tento ignorar, que me chamam para ir por um caminho que não quero tomar, aquela obscuridade de que fujo. Sou eu que mando na minha mente e pensamentos e não eles mas é como se por momentos conseguissem apoderar-se sem ter percepção disso. Devia ter fechado a porta da última vez que escrevi tais palavras, há pensamentos que fazem a ferida latejar mesmo já estando sarada, e ainda vou a tempo de fechá-la uma vez mais. Não vou permitir que continuem a vaguear fazendo os estragos que lhes apetece porque preciso de voltar a dar um passo em frente. Às vezes talvez seja preciso dar uns passos atrás para se dar um frente para saber qual o próximo caminho a seguir. Posso ainda não saber isso porque só o tempo o dirá mas uma coisa eu sei, é que não quero fazer esse caminho sozinha, preciso da minha luz. Por isso não é agora que eles vão estragar o meu espírito, o meu humor, não me vão desfazer aos pedaços uma vez mais. Não estou sozinha e preciso de ser forte por ambos, apenas preciso de encontrar a alegria em acordar e manter-me forte ... , não forte, ... mas sim uma lutadora.