Eu preciso de ti, preciso de ti agora e ao meu lado, preciso de me encostar no teu peito a ouvir o teu coração e sentir-me protegida, que nesse momentos os problemas não interessam, o mundo dos meus pensamentos é apenas uma ténue bruma que acabará por desaparecer.
Preciso da luz que me ilumina o caminho, preciso daquelas palavras duras que às vezes magoam mas que me fazem acordar para a realidade e me ajudam a desprender desta sombra que me persegue, preciso daquele apoio que me acha frágil, mas eu sou assim e por mais que tente ser forte existem alturas em que é preciso explodir.
Os periodos tem sido cada vez mais curtos mas eu estava a conseguir ir bem e agora com isto não consigo continuar a por um sorriso na cara e dizer que esta tudo bem comigo, não consigo ter as conversas normais como se por dentro não estive com ciúmes. O silêncio de um dia inteiro consome-me, mostrando novamente aquelas cicatrizes que para mim nunca vão sarar.
Eu olho para a gaveta e penso eu prometi que não o voltava a fazer, mas é um chamar tão grande, uma dor para aliviar outra, a qual eu vou lamentar o resto da minha vida toda, por isso porque não acabar com isto de uma vez por todas! Sim estou novamente naquele abismo onde já estive há vários meses atrás por razões que naquela altura não eram o principal mas agora são. Neste momento não consigo lidar com isto, estou no meu limite, mas também não posso desabafar começam logo que não devia pensar nisso e que sou capaz e há situações piores. Tudo bem eu entendo que não gostam de me ver assim e podem dizer que estou a ser egoísta ou a fazer-me de vitima mas são muitos anos a viver muma prisão.
Quando for adulta vou sentir sempre aquela magoa de nunca ter vivido a minha adolescência como queria porque por mais que tente fazer-me ouvir, não me ouvem, se tento fazer algo, piora sempre para o meu lado. Isso ninguém é capaz de entender porque conseguem aproveitar estes anos que toda a gente diz que são únicos mas eu estou limitada, eu estou para aqui a sonhar acordada, a aumentar a minha dor por estupidez própria, a tentar pensar qual será o meu próximo passo...
Eu não quero ser assim, eu quero conseguir contrariar toda esta dor, esta mágoa, esta frustração, quero conseguir voltar a lidar com a minha parte sombria (a que eu acabei por aceitar ser uma parte de mim que não podia ignorar), mas não posso deixar que ela esteja constantemente a assumir o controlo.
Preciso de uma mudança, uma mudança de atitude, de mim mesma, de me libertar, mas no fundo eu sou frágil, insegura e com pouca auto-estima. Quanto mais luto demonstro que sou capaz de superar, mas ao mesmo tempo quando me deixo cair torna-se mais dificil de voltar a ser aquela rapariga com um sorriso, com pensamento positivo, que secretamente deseja ser rebelde.
Queria conseguir prometer que vou conseguir mudar a minha atitude e levá-la avante, mas isso é uma promessa que eu não posso jurar cumprir porque recaídas todos têm, uns mais que outros, apenas queria conseguir aproveitar o tempo que resta.
